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O prazo legal para agendamento de consultas, exames e procedimentos por planos de saúde

  • Foto do escritor: Luana Alexandre
    Luana Alexandre
  • 9 de jul. de 2025
  • 3 min de leitura


Introdução

O acesso tempestivo a serviços de saúde constitui um direito fundamental, assegurado pela Constituição Federal e pelas normas infraconstitucionais. No contexto dos contratos de planos de saúde, esse direito ganha relevo diante da essencialidade dos serviços prestados e do dever de proteção ao consumidor.

Com o objetivo de disciplinar e assegurar a oferta adequada de serviços, a ANS — agência reguladora vinculada ao Ministério da Saúde — editou a Resolução Normativa nº 259/2011, que estabelece prazos máximos para a realização de consultas, exames e procedimentos. O presente artigo examina os contornos jurídicos dessa norma e suas implicações no ordenamento brasileiro.


1. O Dever Legal dos Planos de Saúde Quanto ao Atendimento

1.1 Base Legal e Constitucional

O direito à saúde está previsto no art. 196 da Constituição Federal de 1988, segundo o qual "a saúde é direito de todos e dever do Estado". No âmbito privado, a prestação de serviços de saúde está sujeita às regras do Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990) e à legislação específica setorial.

O contrato de plano de saúde, segundo o Superior Tribunal de Justiça (STJ), caracteriza-se como contrato de consumo, estando sujeito aos princípios da boa-fé objetiva, equilíbrio contratual e função social, além dos deveres de transparência e informação.


2. Resolução Normativa nº 259/2011 da ANS: Prazos Máximos

2.1 Dispositivos Centrais

A RN nº 259/2011 da ANS dispõe expressamente os prazos máximos para que os planos de saúde autorizem e realizem atendimentos. Os principais prazos estabelecidos são:

  • Consulta básica (pediatria, clínica médica, ginecologia e obstetrícia): até 7 (sete) dias úteis.

  • Consulta com outras especialidades médicas: até 14 (quatorze) dias úteis.

  • Consultas e sessões com profissionais de saúde não médicos (psicólogo, nutricionista, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta): até 10 (dez) dias úteis.

  • Exames laboratoriais de análises clínicas: até 3 (três) dias úteis.

  • Demais serviços de diagnóstico por laboratório de análises clínicas, imagem e outros: até 10 (dez) dias úteis.

  • Procedimentos de alta complexidade (PAC): até 21 (vinte e um) dias úteis.

  • Procedimentos de urgência e emergência: atendimento imediato, conforme Resolução Normativa nº 259/2011 e RN nº 259/2011, art. 4º.

Esses prazos são computados em dias úteis, a partir da data da solicitação, observando a capacidade de atendimento da rede credenciada.


2.2 Regras Específicas

A norma assegura que, em caso de ausência de prestador na rede credenciada, a operadora deve oferecer alternativas, inclusive o atendimento em prestadores não credenciados, com o custeio integral.

O descumprimento dos prazos sujeita a operadora a sanções administrativas, como multa que pode ultrapassar R$ 100.000,00, nos termos da RN nº 124/2006 (Regulamento de Sanções Administrativas).


3. Aspectos Contratuais e a Teoria do Diálogo das Fontes

O direito à marcação de consultas e procedimentos em prazo razoável insere-se no contexto contratual, submetido ao diálogo entre o Código de Defesa do Consumidor e o Código Civil.

A função social dos contratos, expressa no art. 421 do Código Civil, reforça que o contrato de plano de saúde deve atender ao fim maior de assegurar a saúde e a dignidade do consumidor.

Nos termos do Código de Defesa do Consumidor:

  • Art. 6º, inciso I: direito à proteção da vida, saúde e segurança.

  • Art. 6º, inciso III: direito à informação clara e adequada sobre os serviços.


4. Possíveis Sanções e Medidas Judiciais

Em caso de descumprimento dos prazos:

  • Procon: Denúncia administrativa.

  • ANS: Registro de reclamação via Notificação de Intermediação Preliminar (NIP).

  • Judiciário: Ação judicial com pedido de tutela de urgência para compelir a operadora a fornecer o atendimento, além de indenização por danos morais e materiais.


5. Recomendações Práticas

  • Solicitar protocolo de atendimento da operadora ao requerer consultas e procedimentos.

  • Anotar o número da NIP gerada pela ANS.

  • Buscar auxílio jurídico imediato em caso de recusa, atraso ou negativa injustificada.


Conclusão

A Resolução Normativa nº 259/2011 da ANS, ao estabelecer prazos objetivos e razoáveis, representa um marco regulatório em defesa do consumidor no setor de saúde suplementar. O descumprimento desses prazos não apenas configura infração administrativa, mas também afronta direitos fundamentais, abrindo espaço para a intervenção do Judiciário com base nos princípios da boa-fé, função social do contrato e dignidade da pessoa humana.

O consumidor, portanto, tem assegurado o direito à assistência tempestiva, cabendo aos operadores do Direito, inclusive no âmbito contratual e judicial, vigilância ativa para garantir a plena eficácia desses dispositivos.

 
 
 

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